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Encontro Eram 19 horas de uma noite escura como breu. Lá fora chovia a potes como só acontece em África, e reinava uma daquelas tempestades de se lhe tirar o chapéu com relâmpagos e trovões, tudo ao mesmo tempo. O meu pai entrou em casa todo ensopado, apesar do seu oleado negro, com o guarda-chuva todo retorcido pela força do vento numa das mãos, e na outra com uma gaiola improvisada de bambú. E o que vinha lá dentro?... um "gatinho"!!! E que gato... ainda estava eu a meio metro e já ele se assanhava todo. Nos dias que se seguiram a minha mãe tratou dele, entre arranhadelas e dentadas, como só ela sabia fazer com os vários animais domésticos que íamos tendo. Cão, gato, macaco e papagaio, às vezes repetidos. Pois é... o gato e o cão que na altura tínhamos bem depressa tiveram de "mudar de casa" pois não tinham hipótese alguma de existirem. Questões de território... disse o "gato". Engraçado que nesses primeiros dias ele miava muito, isto é miUava, não miAva. Fazia "miúi...miúi..." era um miar estranho (pensava eu) e foi por essa razão que se chamou Miuinho. A Relação
Brincar
connosco, era o dia todo. Nessa altura eu com 5 anos e o Tónando com
3,5 anos de idade, descobrimos como era bom andar a cavalo... no
Miúinho é claro. O meu irmão arrancáva-lhe os "bigodes"
volta e meia (coisas dos três anos de idade que lhe mereciam umas
palmadas da mâe), e ele gemia e fugia. Passeava na rua com trela para que as pessoas se sentissem seguras, não por necessidade real. Nunca fez mal a ninguém... humano é claro. Um dia por provável "necessidade da vida" pirou-se de casa. Foi o pânico geral. O meu pai procurou-o pelos arredores da vila durante três dias. Ao 2º dia já estava a pagar a um vizinho duas galinhitas que o pequeno comera. Balanço final da fuga: Três galinhas e um cabrito pequeno... disse o meu pai! Mas... comeu tudo... não esbanjou nada! Voltou feliz como nunca pela mão do meu pai. Este dera com ele no cemitério local... sitio onde havia paz e sossêgo. Desenlace
FIM |
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